Uma vez me disseram que ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível. Foi um professor que me disse.
Na hora eu briguei. Achei cruel, mesquinho e fútil falar isso. Onde já se viu? Isso seria falar que as pessoas não são, de fato, especiais.
Passei alguns anos remoendo isso até que reencontrei tal professor.
Depois de alguns minutos de conversa, eu decidi perguntar. Virei pra ele e disse “Você ainda acha que ninguém é especial a ponto de ser insubstituível?”.
Ele deu uma risada e respondeu: “Você passou bons anos pensando sobre isso, não? Sim, eu acho.”.
Fiquei indignada! Mas como?
Acabei falando “Mas o senhor não acha isso algo fútil? Seria dizer, em outras palavras, que você usa as pessoas.”. Ele riu de novo (e eu odeio quando as pessoas riem das minhas teorias) e disse “Alguma vez eu disse que isso se tratava de sentimentos?”.
Então eu entendi.
Não eram os sentimentos pelas pessoas que eram insubstituíveis, mas elas mesmas. O “cargo” que elas ocupam.
Se você tem um amigo, briga com ele e param de se falar, você vai arranjar outros amigos, mesmo estando chateado com aquele. E, por mais que você diga que não, você vai se divertir com seus novos amigos. Eles vão preencher o espaço do outro. Você continua chateado e com saudades do outro, mas, de uma forma ou de outra, ele foi substituído.
Ou quando você termina um namoro. Depois de um tempo, o curso natural segue pra que você encontre outra pessoa e que ela ocupe o “cargo” que o ex ocupava. O que você viveu com o ultimo não é anulado (importante essa parte). Você vai levar pra sempre os momentos que passou com ele. Mas ele foi, e não adianta negar, substituído.
E isso acontece a sua vida inteira. Pessoas vêm, pessoas vão.
Você aprende algo com todas (é!), mas elas vão indo embora. Ou vão mudando. Ou, no final das contas, talvez quem mude mesmo seja você. Afinal, ninguém acorda a mesma pessoa todos os dias.
E pode brigar, falar que eu traí o movimento, mas única coisa que posso concluir é que sim, ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível.
Só que lá no fundo, eu admito que tenho muita vontade de encontrar alguém que seja.
Acho que todos temos.
Eu era inocente. Nao que eu não seja mais, afinal nem sempre eu entendo as piadas. Mas eu era realmente inocente.
Eu dançava “É o tchan”.
Vamos começar pelo nome: É o tchan. Como deve ter surgido isso? Porque acho que poucos conseguiram a proeza de colocar um nome tão dadaísta em um grupo.
Imagino que estava lá o cumpadre Washington e a Carla Perez. Ela não quis nada com ele naquele dia. Ele tava puto e pobre. Aí ele disse “Vamos fazer um grupo que só toca sacanagem?” e ela (com aquela inteligência abismal) “O que é sacanagem?” e ele “Ah, é o tchan.” . Pronto. Provavelmente o nome não foi fruto de um dialogo muito mais sofisticado que esse.
E assim surgiu um grupo que cantava canções pornográficas, alegres e dançantes.
E, verdade seja dita, era sensacional.
Eu e minhas coleguinhas cabeça-de-vento (na epoca eu tinha uns 7 para 8 anos) rebolávamos alopradamente em volta de uma garrafa, dançavamos com um bambolê e cantavamos em alto e bom tom o trecho “ela fez a cobra subir, a cobra subir, a cobra subir”, e na epoca eu realmente pensava que a cobra era o reptil.
Esse post é porque eu imaginei que “É o tchan” estivesse extinto. Mas hoje meu vizinho decidiu “fazer a cobra subir” e colocou o que me pareceu ser a coletanea das melhores/piores/mais ridiculas musicas desse grupinho porreta.
Pior do que ter que ouvir isso o dia inteiro, foi imaginar o que ele estava fazendo enquanto ouvia.
Todo mundo já fez uma pergunta indiscreta ou um comentário constrangedor. Sério, todo mundo. E, tendo esse fato como base, eu decidi postar aqui alguns comentários, perguntas e respostas que todo mundo já tomou conhecimento pelo menos uma vez na vida.
** Você esta no ponto de ônibus e encontra uma velha pseudo-conhecida (aquela prima da vizinha da cunhada do seu primo). No meio da conversa, você repara que ela está...barrigudinha. Surge aquele vácuo de falta de assunto e você manda logo um: “E pra quando é o nosso neném?” e ela responde “Que neném?”. Fail. Você acabou de chamar a tia de gorda. Mais do que isso: você acabou de falar pra ela que ela tá tão gorda, que parece estar gestante. Isso não se faz.
** Na fila de supermercado você começa a conversar com a dona da frente. Ela deve ter uns 50 anos. Você começa a falar da sua vida (porque nada é mais conveniente que um desconhecido quando você precisa desabafar) e, no meio da conversa, chega um rapaz de vinte e poucos anos e fala com ela. Quase sem querer você diz: “Nossa, seu filho é lindo!” e ela te responde “Esse não é meu filho, é meu noivo.”. HAHAHA, essa é clássica. Alem de chamar a tia de velha, você a chamou de papa-ninfetos. E o pior: você ainda vai permanecer na fila por mais 25 minutos remoendo a sua mais recente falta de discrição. Parabéns.
** Você vai conhecer a família da sua namorada. Chegando lá, você encontra a sogrinha, dá um abraço, fala bonito. Sentada no sofá esta uma senhora bem mais velha que sua sogra. Ela te apresenta para a senhora e você pergunta todo inocente “Essa é sua mãe?” e a sogra responde “Não, é minha irmã”. Isso aí, campeão. Você mal entrou pra família e já fez inimizades. Provavelmente com aquela tia solteirona e fofoqueira que não tem o que fazer e vai espalhar pra todo mundo que você é gay, grosso e psicopata.
** Andando no shopping, você encontra aquele seu ex professor bonitão e quase não o reconhece, porque ele raspou a cabeça. Você abre aquele sorriso enorme e já chega com aquele ar de deboche: “Mudou o visual hein?” e ele te responde “ Ah, é...eu to com câncer.” É uma boa oportunidade pra usar seu lado teatral e fingir uma parada cardíaca. Bom que se o professor estiver a caminho do hospital, ele te leva junto.
** Sempre tem a clássica das profissões. Você acabou de conhecer um cara super gentil, simpático e lindo, e quer parecer legal. Então você começa a contar piadas. Ele te acha uma graça até que você conta uma piada de advogados, por exemplo. Ele não ri. Você, achando que ele não entendeu, explica (erro duplo!). Ele vai e te responde com um “meu pai é advogado”. Não se espante se ele disser que vai ao banheiro e nunca mais voltar.
** Você saiu com a galera ontem a noite e encontrou uma amiga sua. Hoje você foi na padaria/locadora/papelaria/cabelereiro/etc e encontrou a dita cuja com os pais dela. Você já chega gritando “E aí? Curtiu ontem? Aquele bar é tudo de bom, né?” e os pais dela (te ignorando completamente) viram pra ela e perguntam: “Bar? Você não disse que ia dormir na casa da sua prima?”. É, menos um na sua listinha do Orkut.
** Você conheceu um cara que não tem os braços. Mas ele é tão gente fina que você nem percebe que ele não tem os braços. E no meio do calor da conversa, você vai e conta a piada do “cotoco”. O inferno tem um quarto de luxo pra você.
Se a maior dor do vento é não ser colorido...ah!
Que inveja ele não deve ter das flores!
Não sei amar. Pronto. Pelo menos não nos parâmetros atuais. Hoje é tudo rápido. Exemplos? Ok.
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Situação 1:
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Uma loira conhece outra em uma festa e elas se identificam instantaneamente. (Não tenho nada contra loiras, mas precisava exemplificar)
Tiram UMA foto juntas. Trocam MSN, Orkut, telefone e etc.
Conversam pelo MSN durante 3 dias e postam a foto no álbum do Orkut. A legenda é a seguinte: “AIN MIGAH PERFEITOSÁ! TE AMO DIMAIS!”.
Fail.
Ela conhece a outra há 3 dias e já ama. Avassalador, não? Imagina as pessoas que ela conhece, sei lá, há 10 anos? Provavelmente a legenda seria “AIN MIGOS PERFEITOSOS, EU ENFIARIA ALFINETES NOS MEUS OLHOS, BAMBU DEBAIXO DAS MINHAS UNHAS, ME JOGARIA NA FRENTE DE UM ONIBUS E CORTARIA A MINHA GARGANTA POR VOCÊS!”
E não seria mentira. Se ela ama alguém há 3 dias, isso é fichinha.
Situação 2:
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A menininha está lá andando na rua quando encontra um grupo de amigos. Lá ela conhece um cara que é amigo do primo do vizinho do cunhado e eles conversam por exatos 2 minutos.
Ele chega em casa, acha ela no Orkut, adiciona e pede o MSN. Eles conversam durante 4 dias (eu aumentei pra 4 com relação ao anterior porque meninas supostamente tem que ser “difíceis” com os caras) e ela deixa um depoimento pra ele assim: “NOSSAH, ESSE MENINO EH TUDO DE BOM, LINDUH, GENTE BOUAH, CONFIAVEL E MUITO MAIS! TIH AMUH!”
É. Nem teria o que comentar. Mas eu vou comentar mesmo assim. RIDICULO. (é, em negrito e itálico mesmo) Ai, sua menina burra, você não ama o cara, só deixou o depoimento esperando que ele responda algo como “Tih amuh lindah” e contribuir para a sua popularidade medíocre.
Então é por isso que eu digo. Eu não sei amar. Não sei mesmo. Eu demoro, eu preciso ser conquistada, me sentir segura. Aí sim eu vou amar. No máximo eu posso ter uma afinidade muito grande com a pessoa logo de cara. Mas amar não. Isso requer tempo, cuidado, paciência. E sou fria sim. E chata. E acho que sou dona do mundo e isso é problema meu.
E você pode reclamar o quanto quiser. Falar que eu sou careta, que as coisas mudaram. E eu vou te responder que sou mesmo. Mas não vou amar pela metade, não.
Ônibus em horário de pico. Quem diz que gosta ou esta mentindo ou tem sérios distúrbios mentais.
Pois bem, sábado passado foi tenso. Pra começar, nós tínhamos que ir para um lugar sem fazer idéia de onde era. A explicação soou algo como “Vão para o centro do oceano de lugar nenhum.”. Mas nós fomos. E mais que isso, de ônibus.
Vamos debater sobre isso, querido leitor. Ônibus já é, em sua essência, um pé no saco. Pra começar, é uma palavra que não rima com nada. Nunca faça um poema com ônibus, você vai passar aperto.
Em segundo lugar, pense na situação. Não é higiênico. Você tem que andar segurando em todos aqueles canos gordurosos, sentar em um lugar aonde outro estava assentado e ainda por cima, agüentar aquele tio tarado relando em você. Isso sem contar os esbarroes, a dificuldade pra levar mochila e/ou outros materiais o risco de encontrar um conhecido (o que pode ser pior que todas as anteriores juntas).
Então esse post é sobre ônibus. Sobre as coisas que vão acontecer com você (acredite, se não aconteceram, ainda vão acontecer) e sobre o que fazer (ou não) para se livrar delas.
Guia de sobrevivência no ônibus:
1 – você vai perder alguma coisa no ônibus. Fato. Chaves, brinco, penduricalhos, celular, o brinquedo favorito do seu filho. Você tem duas opções: esquecer e fingir que o objeto perdido faz parte de uma vida passada ou contar com a boa vontade das pessoas. A única certeza é que a segunda sempre falha. Recomendo a primeira opção.
2 – as pessoas vão relar em você. Descaradamente ou não. Você pode: a) aproveitar que está no inferno e abraçar o capeta. Deixa o tio relar e curte a vibe. b) fazer escândalo e correr o risco de, alem de te acharem louca, agüentar as piadinhas infames depois. c) sair discretamente ou tentar amenizar o ato. Mude de posição, coloque a mochila na frente, mude de lugar, de cidade, de pais. Mas acredite, em qualquer ônibus vão relar em você..
3 – você vai descer no ponto errado. Se for perto de onde você queria descer, vá a pé. Você fica com as pernas durinhas e foge da lata de sardinha infernal. Mas pode acontecer de você descer um ponto antes e tal ponto ser a 12 km de onde você quer ir. Aí você se ferrou.
4 – você vai perder o ônibus. E vai chegar atrasado pra caramba, porque o próximo vai demorar tipo 4 horas pra passar e, quando passar, não vão ver que você deu sinal. Sempre tenha dinheiro para um taxi. Fica a dica.
5 – em dias chuvosos tudo vai dar errado. Tudo o que você estiver carregando vai cair, você vai deixar todo o dinheiro da passagem e um bolso inalcançável, você vai levar um escorregão, seu guarda-chuva vai dar biziu, o botãozinho melado de "parada solicitada" não vai funcionar e de quebra você vai se sentar ao lado de algum tio feio e fedorento. E não há nada que você possa fazer sobre isso.
Bom, acho que em linhas gerais é isso aí mesmo. Outras situações derivadas dessas podem vir, mas no final das contas sempre vai dar tudo errado e você vai ficar com muita raiva, como nós ficamos sábado, quando praticamente todas as situações aconteceram. Essa tal de Lady Murphy é uma tia muito, mas muito cruel.
E ah. Só pra registrar: hoje foi um dos melhores dias (: Obrigada por tudo Nina!
Eu imagino que na lista de coisas que te mandam direto para o inferno “Fazer festa infantil em meio de semana” deva estar em lugar de destaque. Provavelmente antes de “sacanear os outros com a brincadeira ‘com rodinha ou sem rodinha’” e depois de “usar a furadeira domingo de manhã”. Pois bem. O problema foi com os adoráveis moradores da casa ao lado do meu prédio. Vamos fazer um pequeno prefácio: se a casa ao lado tivesse um outro nome, seria sarcófago. Só tem múmia. E as múmias tem um quintal grande, um pinscher nojento e...netinhos. Como se não bastasse terem um pinscher, elas tem netinhos. E ontem foi aniversario de um deles. Provavelmente alguém teve a idéia genial de dizer “Vamos comemorar seu aniversario na casa as vovó? Ela tem um quintal e um pinscher!”. E foi o que aconteceu. O rebuliço começou logo cedo, mas logo cedo eu trabalho então pouco me importava. Mas à tarde eu voltei. E, virando a esquina, eu já sabia o que me esperava. Angélica estava berrando “vou de taxi” ao lado do meu prédio. Cogitei as opções: 1- Fugir. Não, daria muito trabalho e eu estava com fome. 2- Morrer. Me pareceu tentador, mas eu tinha uma atividade avaliativa para terminar até sábado. O jeito era agüentar. Sentei na frente da escrivaninha para fazer meu exercício ao som de Xuxa. Me lembrei que, quando eu era criança, diziam que, se rodássemos o vinil da Xuxa ao contrario, ouviríamos o demônio cantar. Eu não rodei, mas imagino que o demônio deva cantar (muito) melhor do que a Xuxa. Já se passavam das 17 horas quando veio o golpe de misericórdia: animadores. Horríveis animadores vestidos de palhaços incentivando as crianças (oh céus, por que?) a darem gritos histéricos. Eu desejei com todas as minhas forças que um raio caísse e fritasse todos da casa ao lado. Mas não fui atendida. Fiquei lá, sentada terminando meu trabalho, até 22 horas ouvindo “Hoje tem marmelada?” “Tem sim senhoooor!”. Tenso. Mas eu resisti. E prometi a mim mesma que meus filhos terão festas de aniversario com animadores todo ano: em uma casa alugada com isolamento de som.
Existem coisas que só acontecem comigo. Com mais ninguém, só comigo mesmo.
Aposto que você não teve pneumonia duas vezes, não tem alergia a antibiótico ou que você não tem um amigo gay afim do seu ex-namorado. É desse tipo de coisa que eu to falando.
Bom, fui ao Anime Festival. Pra que não conhece, mais do que um evento de anime, o AF é um evento que reúne todas as pessoas mais esquisitas e bizarras de Belo Horizonte (e de fora dela) que você não sabia que existem (importante essa parte). Aquele tipo de pessoa que você vê às vezes (ou sempre, se você freqüentar determinados lugares) e pensa “Tenho pena da mãe desse sujeito”. Eu me encaixo nessa categoria.
Provavelmente você vai ler aqui e pensar “ Que diabos essa menina foi participar desse negocio?”. É que eu me sinto em casa.
Mas enfim, a questão não é essa. Estava falando das coisas que só acontecem comigo e o AF foi palco de uma delas.
Existem situações que são meio constrangedoras. Mas existem outras que são inimagináveis.
Parei em uma das barraquinhas para comprar algo (que não me recordo no momento) e o tio babaca vira pra mim e pergunta “Isso é peruca ou cabelo de verdade?”
Tenso. Vamos debater sobre isso. Por mais que meu cabelo seja vermelho-ai-meu-olho, alaranjado nas pontas e com corte de playmobil, não se faz esse tipo de pergunta para um desconhecido, muito menos para um cliente. Essas coisas você pergunta apenas em duas ocasiões: ou quando você tem menos de 9 anos ou quando você tem problema mental. O tio aparentemente não tinha nenhum dos dois.
Meu impulso foi de responder “É peruca, eu tenho câncer”, só pra ver a cara dele. Mas meu lado bom me disse que eu iria pro inferno se fizesse isso, então apenas sorri e disse “É cabelo de verdade sim”.
Aí, meus queridos, COMO SE NÃO BASTASSE, ele me vira e pergunta “E você sai assim na rua?”. Eu juro que tentei, mas não resisti. Acabei respondendo “NÃO, EU TROCO”.
Não tenho paciência nenhuma pra gente idiota.
E a dica do dia é:
Nunca pergunte pra alguém se o cabelo da pessoa é de verdade ou se é peruca, a não ser que você esteja preparando uma bateria de elogios para fazer em seguida. Fora isso, morra com a duvida.
Sabe o que eu odeio? Semi-conhecidos. Aquelas pessoas que te viram uma vez na vida, te adicionaram no Orkut e fazem questão de parar e tentar puxar conversa se te vêem na rua.
Isso me apavora. Primeiro porque tenho nojinho desse povo que te cumprimenta por conveniência (nota mental: no meu aniversario, me telefonem, não deixem scraps, ok?).
Segundo, porque não tenho memória, apenas uma vaga lembrança. Nunca sei quem é.
Hoje encontrei um semi-conhecido. Aí é sempre a mesma cena:
-REBECA!
- Oi...! (você ainda não se lembra do nome)
- Puxa, há quanto tempo! Como vai?
- Bem, e você? (caralho, o rosto não é estranho, como é mesmo o nome?)
- Ótimo! Ralando muito na faculdade, saindo bastante...e suas aulas, começam quando?
- Ah, só em agosto...(ele até sabe que eu passei pro segundo semestre e ate agora eu não lembro a porra do nome!)
- Que folga hein?
- Ah, é...mas me conta! Como vão os estudos? (Lucas? Não, não pode ser Lucas, ele não tem cara de Lucas...Marcos? Não, eu me lembro do Marcos...Carlos? Isso! Carlos! Não...)
- Ah...apertado...essa semana tive um trabalho e... (ISSO! Enquanto ele fala você vasculha sua mente, abrindo e fechando arquivos empoeirados a procura do maldito nome)
- Sério? Conta isso direito! ( E o nome...e o nome....tenho que ganhar tempo...)
- Ah, foi assim....
(Caralho, eu desisto! Esse cara não tem nome!)
- Ah ta...olha, me desculpa, mas eu to aqui tentando lembrar do seu nome e não consigo.
- É Lucas.
(VIU? ERA LUCAS!)
Entao eu aconselho: se esqueceu o nome, fala logo que não sabe. Você não vai lembrar e de quebra faz papel de ridículo rápido. Essas coisas são iguais arrancar esparadrapo: tem que ser de uma vez, senão é masoquismo.
Bom, ontem eu vi no blog de um amigo meu (excelente blog, por sinal, me divirto quilometros lá) um post sobre as adoráveis vestimentas femininas e resolvi fazer um sobre os rapazes também. (Revanche?)
1) Sobre camisas sociais: nada é mais elegante que um homem vestido socialmente. Dá um charme inacreditável. Eu particularmente adoro homens que usam roupa social. Mas tudo tem hora e lugar. Se você vai jogar wii na casa do coleguinha, não tem necessidade de se engomar todo. E outra dica valiosa. Gravata é lindo, mas só use se for realmente preciso. Sair por ai andando com um treco pendurado no pescoço a lá Avril Lavigne não é muito bonito.
2) Sobre sungas: eu sei que papai e mamãe compravam sungas super fashions quando você era criança. Mas você cresceu. E, a não ser que você seja um artista de cinema com um corpo escultural, NADA é mais barango que sunga (exceto pochete). Ninguém quer ver suas pernas brancas de europeu desnutrido e nem o volume que seus “documentos” fazem. Então, se você tem mais de 8 anos, use uma bermuda. A humanidade agradece.
3) Sobre as estampas: se você não é o Falcão, Reginaldo Rossi ou similares, não use camisas totalmente estampadas. Uma blusa xadrez ou listrada ainda vai, mas aquela camisa social florida que parece um tapete deve ser usada como tal. Se quer estampa, procure uma que seja só na frente da camisa ou algo discreto. De excesso de informação já basta a internet.
4) Sobre as cores: ah, as cores! Não tenha medo delas, as cores são suas amigas, querido leitor. Mas lembre-se dos primórdios da sua existência: seu enxoval foi azul, não rosa. Existem cores que ficam melhores em mulheres do que em homens. Tenha bom senso e evite cores que te façam parecer um travesti.
5) Sobre sandálias: pés femininos são adoráveis e delicados. Pés masculinos são relativos. Não considere apenas a opinião da sua mãe ao escolher seu calçado, fica a dica.
6) Sobre calças: sabe no almoço de domingo, quando você chega na casa da sua avo e ela diz “meu filho, sua calça está caindo, deixa a vovó comprar um cinto pra você”? Aceite. É charmoso usar a calça com uma parte discreta da sua adorável roupa intima aparecendo. Outra coisa é andar por aí seminu com aquelas calças escorregando até seus joelhos. O Chorão do CBJ faz sucesso porque tem dinheiro, não porque usa a bunda de fora.
7) Sobre bonés: aí depende. Se estiver realmente fazendo sol ou se seu cabelo é realmente muito ruim ou se sua testa é monstruosamente grande ou se você esta fazendo quimioterapia, use. Caso contrário, deixe que seus cabelos conheçam o mundo. Se você quer ter cabelo pra ficar escondendo eles em um boné, raspa a cabeça de uma vez e pronto. Muito mais fácil do que essa viadagem de “ah, devolve meu boné!”. Ou então simplesmente parem de reclamar que usamos óculos escuros no shopping.
8) Sobre roupas largas: ok, vocês não precisam usar nada que marque a cintura e os quadris como nos. Mas por favor, na use nada que pareça comprado em liquidação de tamanho único. Se, alem da calça-escorregador, você usar uma blusa que bate no seu joelho e um tênis de skatista, você não é estiloso, é tapado. Existe numeração nas roupas justamente pra você não fazer papel de quem pegou todas as roupas do irmão mais velho obeso.
9) Sobre pochetes: é a dica absoluta: nunca use pochete. Nunca, em hipótese alguma, use pochete. Pouco me importa se foi presente do seu tio-avô esquizofrênico ou se você se acha sexy com ela. Acredite, você não fica sexy com ela e olha que eu nem sei quem está lendo isso aqui. Fica bizarro. Todos os tópicos acima a gente deixa passar, mas a pochete não.
Esse mundo é mesmo engraçado.
Hoje fui na Savassi e descobri que a humanidade está mesmo fadada ao fracasso.
Estava quase chegando no Pátio par encontrar a Fernandinha quando vi 5 pessoas: 4 meninas e um menino, todos com mais ou menos uns 15 anos.
Eles estavam na praça com uma garrafa de vodka em um saco de pão, bebendo alegremente.
Três das quatro meninas usavam shorts do tamanho de uma sunga e todas elas relavam enlouquecidamente no pobre rapazinho (também alcoolizado).
Isso me fez pensar nos valores em vigor hoje em dia. A humanidade está irreversivelmente presa em um loop eterno de almas medíocres (gastei nessa). E por mais que você fuja, um dia elas topam com sua digníssima pessoa.
Se você tem personalidade, a única coisa a fazer é sentir pena dos coitados.
Se você não tem, o negocio é ir na deles, fazer parte da “tchurma” e rir dos quadrados que não fazem nada de errado.
Isso acontece a vida inteira.
Mas se você escolheu a segunda opção, a melhor parte é descobrir o quanto o mundo é pequeno. É descobrir que, por descaso do acaso, aquele careta que você riu da cara dele é seu chefe e que, pra fechar com chave de ouro, você largou 3 faculdades, trabalha de office boy e mora com os pais, enquanto o coleguinha tem a sua idade, PhD e trabalha por hobby.
Porque tudo é tão efêmero,
é preciso sair...
é preciso chegar...
é preciso sair, é preciso chegar,
tão depressa, tão depressa
que nós não nos envolvemos.
É aí que eu me pergunto
sobre esses probleminhas terrenos,
quem vive mais
morre menos?
Bom, hoje o assunto é um velho conhecido de todo mundo. O nome dele é ciúme. E mente que diz que nunca sentiu.
Lembra, lá no primário quando você tinha seu namoradinho ou sua namoradinha (lembrando que no primário você sempre namora um coleguinha que desconhece tal fato) e, quando chegava na sala, encontrava ele/ela conversando alegremente com um “concorrente”? Isso é ciúme.
E lembra quando você foi lá fuçar o orkut do peguete e encontrou um recado/depoimento/comentário/escambau que certamente NÃO deveria estar lá? Isso também é ciúme.
Ciúme é nada mais do que a sensação (desagradável, por sinal) de perceber que não somos exclusividade. (Sabe? Quando você percebe que seu namorado também conversa com outras pessoas, que seus amigos não são só seus, que seus pais tem outros filhos, que sua banda favorita tem outros fãs...)
E cada um reage de um jeito (essa é a parte engraçada do negócio).
1- Os escandalosos.
São os piores. Geralmente a crise começa com um sonoro “TIRE AS PATAS DELE SUA VADIA!” Chegam quebrando tudo (literalmente) e não se importam com mais nada.
2- Os discretos.
São aqueles que assistem quietos, te puxam pro canto e já mandam um “temos que conversar”. São assustadores, porque você nunca sabe até que ponto o sermão vai durar.
3- Os implícitos.
Não falam, não demonstram, não comentam e aparentemente também não sofrem.
4- Os tristes.
Assistem calados e deixam para telefonar depois, chorando e fazendo milhares de perguntas como “Você não gosta mais de mim?”, “O que ele tem que eu não tenho?” ou “ Por que eu existo?”.
5- Os grossos.
Tão constrangedores quanto os escandalosos, mas a diferença é que, em vez de sair falando, eles começam a dar patada em tudo e em todos. Donos de frases típicas como “Já falei que não tenho nada.” Ou “Não tô com raiva, imagina.” (usando tons incomodamente irônicos).
Claro que existem variações, mas a essência não muda muito.
O que eu quero dizer é que ninguém é imune, nem eu.
Eu sinto ciúmes. Pronto, falei.
Mas de quem? Isso eu não conto ;)
Hoje eu me sentei no ônibus disposta a ouvir música até o meu destino. Era uma daquelas manhãs bonitas que merecem trilha sonora e câmera fotográfica. Na falta da câmera, fiquei só com a trilha sonora mesmo.
Tinha acabado de pegar os fones quando uma senhora atrás de mim, ao observar um jovem casal, comentou com uma outra mulher: “Eu fico impressionada. Como uma mocinha tão linda pode namorar um rapaz tão feio?”.
Olhei para o casal e percebi que de fato ela era muito mais bonita do que ele. Também percebi (e não foi tão difícil assim) que nenhum dos dois se importava com isso. Estavam tão felizes que aparentemente nada importava alem deles mesmos.
Esqueci os fones e comecei a pensar sobre as aparências. Por que será que é tão importante o que a gente é por fora?
Grande parte das pessoas mais bonitas que eu já conheci na vida não conseguiu manter 10 minutos de uma boa conversa, enquanto outras não tão bonitas assim conseguem fazer tudo ser mais especial.
Acho que, no final das contas, o que faz uma pessoa ser bonita é o amor que a gente sente por ela.
Minha mãe tá na fase do e-mail (Ê- MÊIO, como ela diz. Assim mesmo, bem pronunciado e com ênfase nos “e’s” ). Ela se diverte horrores com aquelas mensagens de Power Point, sabe? Aquelas que todo mundo odeia e deleta sem ler. Então, ela adora. E quem sofre com isso depois? Claro, eu. Porque ela me manda TODAS. E depois ainda fica me perguntando se eu li, se eu gostei, pra quantas pessoas eu mandei.
Aí eu resolvi soltar o frango. “Mãe, não me manda essas coisas, eu não leio”, falei mesmo. Essas coisas desagradáveis têm que ser assim, rápido igual arrancar esparadrapo. Se demorar muito é tortura.
Ela fez aquela cara de surpresa. “Como assim você não lê? É tão divertido!”. “Não mãe, não é divertido”. E pronto. Ela protestou mais um pouco e desistiu.
Mas, sabe, às vezes eu sinto falta daquelas mensagens encaminhadas...