~°>SoRtIlÉgIo <°~


O Anti-herói

Magro. Cabelos muito lisos, escuros, caindo sobre os olhos claros. Camisa branca, assim como o All Star surrado. Calça curta, Jeans. Mãos nos bolsos. Rosto sério, distraído. Respondia às perguntas com breves acenos de cabeça ou sorrisos irônicos. Encostava-se na parede e olhava para cima, pensando sabe-se lá em que. Comentários críticos. Quase cínicos. Poucas palavras. Humor nefasto. Os elogios se perdiam na indiferença. Parecia não se importar. Aliás, ele simplesmente não se importava.

Ah que criatura fascinante....



Escrito por ~°> BeKiNhA <°~ às 15h15
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Sobre agradecimentos

 

Nunca agradecemos as coisas importantes. Fato. É muito comum ver um colega agradecer ao outro por um dever emprestado. Isso é terrivelmente comum. Mas eu nunca vi ninguém agradecer aos amigos por existirem ( depoimento no orkut não vale hein?) , aos professores por aguentarem os alunos (nem sempre) de boa vontade ou até mesmo pelos cumprimentos que recebemos durante o dia ( “Como está?” “Bem, OBRIGADA, e você?). Ninguém faz isso.

 Deve ser por isso que aquele bilhete me marcou tanto.

Eu estava na sétima série, quando uma amiga minha, do segundo ano, passou chorando pelo corredor. Naturalmente chamei por ela e perguntei qual era o problema. Ela não conseguiu responder, apenas balançou a cabeça e chorou mais ainda. Sem saber o que fazer, a única coisa que me veio à cabeça foi abraçá-la. E foi o que eu fiz.

Abracei minha amiga e deixei-a chorar até que o sinal da primeira aula batesse. O sinal bateu e, alguns horários depois, eu já tinha me esquecido daquilo tudo. Nem liguei mais.

 Os dias se passaram normalmente e eu sempre encontrava minha amiga nos corredores como se nada tivesse acontecido. Aquilo não tinha feito diferença para mim. Sinceramente.

Exatos 17 dias depois do acontecimento, eu voltei do recreio e encontrei um pequeno papel dobrado na minha mesa.

Como era de se esperar, afinal que infame criatura curiosa é o ser humano, peguei o bilhete e abri. A letra era pequena, floreada, tipicamente feminina:

 

“Beca, sabia que eu te amo muito? Lembra do abraço que você me deu no dia em que eu estava triste? Obrigada por ele, pois me ajudou a me sentir melhor. Acho que era disso que eu precisava...

                                                          Luciana”

 

É desse tipo de agradecimento que eu estou falando.



Escrito por ~°> BeKiNhA <°~ às 19h30
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Legal. Hoje eu vou escrever por aqui. Sei lá, me deu vontade. Vamos ver no que da entao.

 

Interessante como as coisas tendem a acontecer completamente sem relação com a nossa vontade. Como as pessoas entram e saem da nossa vida, como assumem cargos diferenciados ou passam de essenciais para opcionais. E como seria bom escolher gostar ou não das pessoas, se importar apenas com quem se importa com você.

E nessa brincadeira, lá se vão seus sentimentos, sabe, aqueles que você lutou tanto pra manter intactos? Pois é, eles não ficarão mais intactos, não adianta.

E, sinto informar, que se fechar é pior ainda. O que a gente pode fazer é pular de cabeça, preservando nossa essência e nossa integridade. É isso aí. Se joga. Vai perder o que? Nada. Não tem como perder o que ainda não se ganhou.

A não ser que tenha medo de perder alguma coisa. Ai fica quieto, finge que não é com você e perca algo que talvez marque a sua vida, mas mantenha seus sentimentos na sua redoma, do jeitinho que eles estavam, intactos.

Mas, se você decidir se jogar, tenha em mente que com certeza você vai chorar em algum momento. Nem que sejam lagrimas de felicidade, mas vai.

Então deixe que essas lagrimas lavem seus sentimentos, e que, após esse “banho”, eles se tornem intactos novamente. Apenas aguardando mais uma das milhares de experiências que virão pela frente.

 



Escrito por ~°> BeKiNhA <°~ às 21h02
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