~°>SoRtIlÉgIo <°~


Pois bem. Vou comentar sobre minha situação. Minha mãe fez uma cirurgia ontem e desde então eu estou no hospital. Então lá vai:

 

1- A moça que arruma o quarto disse que eu pareço a Dani Carlos. E sim, sou desaculturada, porque não faço idéia de quem seja tal pessoa. Espero sinceramente que seja alguém que valha um mínimo de pena, porque eu agradeci pelo comentário.

 

2- A recepcionista me odeia. Eu já fui lá pelo menos umas 7 vezes pra perguntar a senha da internet, se tinha que ligar o adaptador da TV a cabo, se ela poderia chamar uma enfermeira para arrumar as roupas de cama e por aí vai. Estou me sentindo inconveniente, mas é divertido ver a cara que ela faz quando eu chego perto.

 

3- É um hospital/maternidade então é simplesmente lotado de bebês. De todos os tamanhos, cores e, principalmente, tipos de choro diferentes. Sim, não se passa um segundo sem que uma criaturinha com cara de joelho invente de esgoelar por causa de algum motivo desconhecido que todas as mães interpretam como fome.

 

4- Quase morri do coração com a delicadeza da enfermeira para entrar no quarto. Ela simplesmente escancarou a porta. Assim, do nada, 11 horas da madruga.

 

5- A comida é ruim. E olha que eu só comi pão de queijo. Mas meu inconsciente sabe que eu estou em um hospital e se nega a aceitar isso como uma coisa boa.

 

PAUSA DRAMÁTICA. EU DORMI ESCREVENDO O POST! COMECEI ONTEM A NOITE E SÓ FUI VOLTAR HOJE DE MANHÃ! (Foi o susto da enfermeira que me causou danos mentais)

 

6- Eu lavo as mãos involuntariamente o tempo todo. É inevitável. A pia me atrai. Aqueles gelzinhos também.

 

7- Descobri que visitas se encantam com hospitais. A cama, a mesa, o armário, a botão de chamar a enfermeira, o sofá, o chão, o papel do banheiro. Tudo é motivo de comentário. E descobri que minha mãe é pop. Muito pop.

 

8- Meu quarto é tipo o Acre. É tão isolado que você não sabe se existe. É o quarto 303, aí você chega em um corredor e tem o 304, 305, 301 e mais outros trezentos, mas o 303 é em um corredor totalmente alheio. Acre.

 

9- Eu dormi em um sofá que tem 90% de madeira, 15% de revestimento e 5% de espuma. Mas eu estava tão cansada que dormi agradavelmente até as 8 da manhã, quando a enfermeira entrou no quarto pela terceira vez.

 

10- Minha mãe só dorme. Come e dorme. Vê TV e dorme. Conversa e dorme. Toma banho e dorme. Ri e dorme. Respira e dorme.



Escrito por .Beka. às 11h10
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Uma vez me disseram que ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível. Foi um professor que me disse.

Na hora eu briguei. Achei cruel, mesquinho e fútil falar isso. Onde já se viu? Isso seria falar que as pessoas não são, de fato, especiais.

Passei alguns anos remoendo isso até que reencontrei tal professor.

Depois de alguns minutos de conversa, eu decidi perguntar. Virei pra ele e disse “Você ainda acha que ninguém é especial a ponto de ser insubstituível?”.

Ele deu uma risada e respondeu: “Você passou bons anos pensando sobre isso, não? Sim, eu acho.”.

Fiquei indignada! Mas como?

Acabei falando “Mas o senhor não acha isso algo fútil? Seria dizer, em outras palavras, que você usa as pessoas.”. Ele riu de novo (e eu odeio quando as pessoas riem das minhas teorias) e disse “Alguma vez eu disse que isso se tratava de sentimentos?”.

Então eu entendi.

Não eram os sentimentos pelas pessoas que eram insubstituíveis, mas elas mesmas. O “cargo” que elas ocupam.

Se você tem um amigo, briga com ele e param de se falar, você vai arranjar outros amigos, mesmo estando chateado com aquele. E, por mais que você diga que não, você vai se divertir com seus novos amigos. Eles vão preencher o espaço do outro. Você continua chateado e com saudades do outro, mas, de uma forma ou de outra, ele foi substituído.

Ou quando você termina um namoro. Depois de um tempo, o curso natural segue pra que você encontre outra pessoa e que ela ocupe o “cargo” que o ex ocupava. O que você viveu com o ultimo não é anulado (importante essa parte). Você vai levar pra sempre os momentos que passou com ele. Mas ele foi, e não adianta negar, substituído.

E isso acontece a sua vida inteira. Pessoas vêm, pessoas vão.

Você aprende algo com todas (é!), mas elas vão indo embora. Ou vão mudando. Ou, no final das contas, talvez quem mude mesmo seja você. Afinal, ninguém acorda a mesma pessoa todos os dias.

E pode brigar, falar que eu traí o movimento, mas única coisa que posso concluir é que sim, ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível.

Só que lá no fundo, eu admito que tenho muita vontade de encontrar alguém que seja.

Acho que todos temos.



Escrito por .Beka. às 03h00
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