Uma vez me disseram que ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível. Foi um professor que me disse. Na hora eu briguei. Achei cruel, mesquinho e fútil falar isso. Onde já se viu? Isso seria falar que as pessoas não são, de fato, especiais. Passei alguns anos remoendo isso até que reencontrei tal professor. Depois de alguns minutos de conversa, eu decidi perguntar. Virei pra ele e disse “Você ainda acha que ninguém é especial a ponto de ser insubstituível?”. Ele deu uma risada e respondeu: “Você passou bons anos pensando sobre isso, não? Sim, eu acho.”. Fiquei indignada! Mas como? Acabei falando “Mas o senhor não acha isso algo fútil? Seria dizer, em outras palavras, que você usa as pessoas.”. Ele riu de novo (e eu odeio quando as pessoas riem das minhas teorias) e disse “Alguma vez eu disse que isso se tratava de sentimentos?”. Então eu entendi. Não eram os sentimentos pelas pessoas que eram insubstituíveis, mas elas mesmas. O “cargo” que elas ocupam. Se você tem um amigo, briga com ele e param de se falar, você vai arranjar outros amigos, mesmo estando chateado com aquele. E, por mais que você diga que não, você vai se divertir com seus novos amigos. Eles vão preencher o espaço do outro. Você continua chateado e com saudades do outro, mas, de uma forma ou de outra, ele foi substituído. Ou quando você termina um namoro. Depois de um tempo, o curso natural segue pra que você encontre outra pessoa e que ela ocupe o “cargo” que o ex ocupava. O que você viveu com o ultimo não é anulado (importante essa parte). Você vai levar pra sempre os momentos que passou com ele. Mas ele foi, e não adianta negar, substituído. E isso acontece a sua vida inteira. Pessoas vêm, pessoas vão. Você aprende algo com todas (é!), mas elas vão indo embora. Ou vão mudando. Ou, no final das contas, talvez quem mude mesmo seja você. Afinal, ninguém acorda a mesma pessoa todos os dias. E pode brigar, falar que eu traí o movimento, mas única coisa que posso concluir é que sim, ninguém é tão especial a ponto de ser insubstituível. Só que lá no fundo, eu admito que tenho muita vontade de encontrar alguém que seja. Acho que todos temos.
Escrito por .Beka. às 03h00
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