~°>SoRtIlÉgIo <°~


Essa semana foi lotada de acontecimentos nocivos para o meu bem estar.

Começaremos por quarta-feira: machuquei.

Não convém contar os detalhes porque envolve a dignidade de outras pessoas descoordenadas que me puxaram rampa de cimento abaixo, mas eu arrebentei meu joelho. E todos sabemos que o joelho é a prova de que Deus não existe.

O fato é que Murphy se encarregou de fazer tudo esbarrar naquele machucado. TUDO.

Eu descobri que todos os moveis da minha casa tem a altura certinha do meu joelho, descobri que calça comprida rela mais em machucados do que se pode imaginar e descobri que as pessoas sentem tesão por esbarrar em machucados.

E como era de se esperar, meu machucado infeccionou.

Mesmo com minha mãe me fazendo lavar o miserável de cinco em cinco minutos, ele infeccionou.

E ficou nojento. Parece uma daquelas criaturinhas de filmes que surgem de uma bolha e começam a devastar a cidade.

Pra começo de conversa, ele adquiriu um tom amarelado e um aspecto gosmento. Depois ele começou a jorrar um liquido estranho.

Decidi então que era hora de limpar novamente. Depois de vários mimimis eu peguei a água oxigenada e despejei no negocio. Fez mais bolha do que refrigerante quente e eu imagino que devo ter destruído uma colônia de bacterias com população equivalente a da China. Sou uma assassina, mas enfim, eles mereceram.

A questão é que a porcaria está doendo e me fazendo andar igual a minha bisavó com reumatismo.

E Murphy não parou por ai: lembram-se da minha mãe operada?

Pois é, ela ainda anda em fase de recuperação. Então eu estou com o joelho inflamado, andando igual a um macaco aidético, treinando pessimamente, sendo obrigada a andar de ônibus, fazer faxina, lavar banheiro e de quebra eu tive que colocar uma foto no meu machucado no Orkut (culpa da amiga marquise! S2) que tem mais comentários do que 80% das minhas outras fotos aonde me aparece de verdade.

Mas amanhã é um novo dia, gafanhotos. Amanhã é um novo dia.



Escrito por .Beka. às 00h37
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Por algum tempo eu pensei que amigo era qualquer um que me tratasse bem ou que me deixasse um depoimento cheio de floreios no Orkut.

Hoje eu sei que ser conhecido, popular, vadia, estranho, idiota e qualquer outra coisa é fácil. Difícil é ser amigo.

Porque amigo que é amigo faz diferença. Amigo que é amigo não se contenta só em fingir que faz parte da vida do outro. Ele realmente (e às vezes sem querer) é uma peça chave.

Então eu descobri que ser amigo quando as coisas estão boas é muito fácil. É só ir lá, fazer uma piada estúpida, sair com a galera, rir das bobagens que os outros falam e fazer bonito (ou ser bonito também). Isso todo mundo faz, mesmo sem querer.

A parte difícil de ser amigo é ser presente.

Não necessariamente nos momentos difíceis. É preencher a vida do outro. É ter liberdade pra falar do assunto mais sério ao mais superficial, é chegar na casa do outro e saber que é visita, mas nem por isso deixar de ficar à vontade, é fazer o outro rir com um comentário idiota, é mandar uma mensagem falando de uma coisa boba, é poder abraçar e sentir o aconchego, é nem entrar no MSN se pelo menos ele não estiver lá, é ter piadas internas, é conhecer os parentes, é poder chegar na casa do outro e não fazer nada, mas mesmo assim não querer ir embora, é respeitar os momentos de recolhimento (isso é muito difícil), é prever as ações do outro, é topar fazer alguma coisa a toa só para vê-lo, é saber que se qualquer coisa de ruim acontecer ele vai estar lá pra te consolar, é pedir desculpas, é não ver o tempo passar, é ajudar na faxina, é saber quando parar, é poder falar “não” sem medo, é ter uma cumplicidade incondicional, é poder dar uma mancada e rir em vez de ficar sem graça, é sentir saudades de verdade (não só quando vê uma atualização no Orkut), é não ter vergonha de chorar perto, é poder ficar em silencio mas quase ler os pensamentos do outro, é ter quase todas as senhas, é não se importar em entrar pela cozinha, é fazer sacrifícios, é saber exatamente o que dar de presente, é se divertir em horas absurdas, é poder falar bobagem sem criar um clima tenso, é pensar de verdade no que o outro disse, é respeitar as diferenças. Enfim, é poder falar um “eu te amo” sincero (e pessoalmente).

Ser amigo é poder abraçar o outro e sentir que quem te abraça de volta é você mesmo.



Escrito por .Beka. às 23h40
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